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fotografia por aline müller

Todo mundo tem uma história.

As flores cruzaram a minha trazendo um universo repleto de cores, cheiros, formas, texturas e sentimentos. E eu não saberia ao certo quando foi que a ideia de trabalhar com flores me pegou de jeito.

Teve um pouco de namoro no portão e confesso que um empurrão com amor daqueles que já enxergavam o óbvio muito antes de mim.

A história ganhou novos contornos quando eu me ofereci para fazer o buquê de noiva e as lapelas para o casamento de uma das minhas melhores amigas, mergulhando na loucura do processo criativo na composição do buquê.

Depois de alguns meses do casamento, encafifada com esse plano louco de um novo fazer profissional e muito tête-à-tête com o Angelo, meu companheiro de noites insones, decidi procurar abrigo entre semelhantes. E é aí que entra a Escola de Arte Floral do Tilli, referência no ensino da arte floral no Brasil. Ali eu experimentei as sensações de equilíbrio e identificação mais fortes dos últimos anos, me senti desafiada e imediatamente soube que não podia mais voltar atrás.

E tudo isso foi só para ilustrar esse enredo que não tem um roteiro e tampouco foi um processo cem porcento consciente até certo ponto. Porque nem sempre foram as flores. A minha trajetória profissional é literalmente uma outra história. E eu preciso contá-la, mesmo que seja de forma breve.

Sou assistente social formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e ao longo dos últimos anos trabalhei em um projeto voltado para jovens egressos do sistema socioeducativo e em cumprimento de medida. Desde o começo da graduação busquei experiências que me aproximassem desse segmento. Durante o curso estagiei durante dois anos no Sistema Socioeducativo do Rio.

Nenhuma dessas experiências é fruto do acaso, mas sim de escolhas desejadas. E foi neste campo fértil, complexo e desafiador no qual eu me descobri primeiro.

Não entendeu nada?

A arte floral é um doce desvio de rota. Um amor novo, desses que vem para ficar.

Quem sabe a sua história não cruza com a minha?

Beijos, Winnee.